Contos de psicanalista: Richardsooon
Essa aqui é uma tentativa de crônica, na qual me inspirei no pseudônimo, dono do blog supimpa de legal, e que tem um link aqui no parceiros...
Marcelo era psicanalista... por opção dos pais... era um sujeito extrovertido e muito alegre, que ao longo de suas consultas para seus pacientes, acabou criando o normal humor dos psicanalistas...
Ele então chega em seu consultório, onde é recebido pela secretária:
- Doutor Marcelo, o paciente já está esperando... ele tem um problema inusitado, e uma história ainda mais engraçada...
Dr. Marcelo se espantou... o paciente estava com tanta pressa assim? Deu uma olhada pela porta entreaberta e viu um sujeito estranho... cara afobada... roupa colada no corpo, cabelo grande amarrado, com luzes, e brilho labial...
O maquinário cerebral de Dr Marcelo começou à trabalhar, começou à bolar seus diagnósticos e tentando adivinhar a pessoa que era o paciente... acabou deixando a secretária explicando a situação para as paredes...
Decidiu entrar de uma vez...
- Doutor, eu preciso de sua ajuda... - imediatamente o paciente se levantou e foi de encontro ao Dr.
- Vamos com calma meu amigo... qual é seu nome? - Marcelo estranhava, começava à achar que o homem que ía à seu encontro iria agarrá-lo...
- Richardsooon - Nesse momento, Dr. Marcelo pensou: "Esse sotaque 'Richardsooon', hun... não me engana... essa tábua leva prego..."
-Pois não, eu sou Dr. Marcelo.- e estendeu a mão de encontro para saudá-lo.
-Olha doutor... - ele começou- tenho um sério problema... tenho AIDS, e não sei lidar muito bem com isso... pra falar a verdade, ainda estou triste, deprimido com isso...
- Sei, seu nome é Janete, você mora numa quitinete, telefone 2577, e adora um... - Dr. Marcelo, começou à balbuciar...
- Como Doutor? - Richardson não conseguiu entender...
-O que quero dizer, é que geralmente é difícil lidar com isso... devido à sua condição, seu grupo não se protege... e acaba nisso...
- Como assim doutor?
- Você sabe...- Ele já estava certo... se tratava de uma bicha convicta, mas que ainda não tinha se assumído... nesse momento ele olhou para seu diploma na parede e decidiu: era dever dele tirar essa franguinha do armário, e continuou:
- Com o quê você trabalha?
- Euuu? Sou metalúrgico, trabalho nas caldeiras. Lugar muito quente, e exige muita força...
- Pensava que você era cabelereiro... - Marcelo não conseguiu disfarçar o rosto de surpresa... e começou a usar seu raciocínio de psicanalista licensiado:
"Bambi metalúrgica? Realmente, se vê de tudo no mundo... aposto que ele pegou AIDS de um desses homens, afinal, olhando como um gay, seria um dos melhores lugares pra se trabalhar... homens fortes, suados, sujos... o cara deve ter mais de 2 metros, ser musculoso... um Homo-bomberman... isso está ficando muito complicado..."
- Mas então doutor... eu tenho um amigo... - Nesse momento, Marcelo, completamente envolvido nesse mistério, bateu na palma da mão, como se quisésse dizer: "É isso! A bambi metalúrgica ficou de saliências com o Homo-Bomberman, o qual não contou para ele que tinha AIDS.... a bambi metalúrgica deve ter vindo para cá pois está se sentindo deprimido devido ao homo não ter contado que tinha a doença"...
- Sim, eu entendo- Marcelo interrompeu - você se sente traído, "como isso pôde acontecer?", você deve estar se perguntando... a pessoa que você confiava e amava, lhe passa AIDS...
Richardson se espantou:
- Doutor... o senhor é bom mesmo... descobriu isso assim, com tão pouca informação sobre minha situação...
E marcelo se sentiu supervalorizado, e olhando para a foto de sua mulher na mesa, se sentiu no céu, pensando o quanto valeu ter estudado para essa profissão... e então, dirigiu a palavra à Richardson interrompendo-o novamente:
- Mas é mais que natural, a pessoa que você ama, te trair dessa forma, mas você tem que levar em conta, que no mundo, o preconceito homofóbico é triste, pois é presente de uma forma muito comum no Brasil... vocês, homossexuais, devem superar essas barreiras, e deixar o medo de lado, levando um relacionamento aberto e seguro..
Nesse momento, Richardson levantou da cadeira, e encarou o rosto de Marcelo, ficando à apenas alguns centímetros de distância... Marcelo, espantado, tentou chegar para trás, mas foi surpreendido por um murro no meio do rosto...
- Tú me chamou de quê? De viado? Hein seu merda?
E jogou Marcelo no chão, indefeso, e começou à espancá-lo... levantou-o pela gola e esfregou o rosto num armário próximo à Mesa, desferindo vários socos na altura das costelas de Marcelo... que indefeso, só conseguia levantar a mão rumo à foto de sua esposa... como se quisésse dizer: "Quero te abraçar pela última vez..." enquanto ele tomava um coça, Richardson prosseguia com xingamentos e ofensas... até que se cansou, e percebeu que era perda de tempo... largou Dr. Marcelo, que caiu no chão de bruçus sem força, enquanto apenas olhava a secretária chegar pela porta enquanto Richardson saía...
Com suas últimas forças falou:
- Chama a polícia, pois essa bixa me bateu por eu tê-la feito a análize e revelado a verdade... só porque ele pegou AIDS de seu parceiro ele não precisava descontar em mim, um simples trabalhador...
- Não doutor! O senhor entendeu errado! Ele pegou AIDS sim de um amigo, mas...
- VIU? TÁ AÍ! E ele ainda vem me bater!? Chama a polícia senhorita Joana!
- Não... ele estava tão abalado, que antes do senhor chegar, ele desabafou comigo... e disse que na realidade, eles tinham feito um pacto!
- Pacto? ENTÃO ELE SABIA QUE O CARA TINHA AIDS E MESMO ASSIM... ORA! É MUITO DESAFORO! E ainda vem me bater! bixona encubada...
- Não doutor, foi um outro tipo de pacto...
- Então o quê? - Doutor Marcelo se levantou...
- Eles fizeram um pacto para nunca contar os segredos um do outro... Richardson disse que era virgem...
-Ué? - Marcelo não entendia mais nada...
- O senhor não sabe como é? O pacto que eles fazem é um em que eles se cortam e encostam as feridas uma na outra... Richardson disse que era virgem... e o seu amigo, disse que tinha AIDS...
Tudo finalmente fez sentido para Marcelo... que voltou novamente para sua expressão facial nula, levantou-se, e decidiu ir para um hospital tratar de suas feridas...
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Gostaria de agradecer ao Pseudoanônimo, vulgo, pseudônimo, o qual me inspirou com suas crônicas... XD












asasuh
cara, muito boa a cronica
me lembrou umas tirinhas q li há um bom tempo já...
enfim, gostei muito da narrativa, da história em si
parabéns, continue q espero poder ler mais ainda ^^
BRUNO, li até o "O assalto do meu primo: O ladrão honesto que roubou" ! Não sabia que além de seus HUH existia português 9: / brinks. parabéns agamenon ! (:
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